domingo, 17 de maio de 2015

árvore da vida

Sempre achei caixão o horror. Um troço feio, medorrento, triste, apertado. Houve uma época, quando era mais novo, que meu avô cismou de vender alguns, daí, não bastando o fato de que ele morava na roça, numa casa onde jamais dormi por medo de assombração, ainda tinha mais aqueles caixões em pé na parede, pra deixar tudo com mais cara de filme trash de terror ainda. ACHO que eu nunca tive medo de morrer não, mas sei que eu sempre achei pavorosa a ideia do caixão.

Nessas, até um dado momento da minha adolescência, eu tinha por certo que queria ser cremado (ou caramelado) quando morresse. Isso durou até uma das aulas de literatura do Professor Éder Simões no Estadual Central. Numa daquelas aulas maravilhosas, onde, pela exposição de tudo de ruim que havia no mundo e nas pessoas, a vida passava a ser linda e ter sentido, ele falou sobre o quanto fazia parte da harmonia, da continuidade da vida, que dos corpos sob a terra nascesse mais vida e assim a energia e a luz continuassem. Naquele momento eu excluí qualquer possibilidade de ser cremado. Mas e o caixão? Aquela feiúra não atrapalharia a continuidade da vida?

Meses atrás, enquanto finalmente assistia "Six feet Under", (SUPER-HIPER-MEGA-SPOILER A SEGUIR), teve a coisa do pedido da Lisa de ser enterrada sem caixão (por conta da mesma ideia de vida que se refaz, natureza, bláblá), e eu me vi pensando de novo no assunto: como eu conseguiria permissão pra ser enterrado sem caixão? Será que já existe essa possibilidade? E se algum boçal cismasse de não respeitar meu desejo (não fazem isso comigo vivo, imagina desfalecido)?

Eis que hoje, agorinha há pouco, dei-me com a novidade: Os designers italianos Anna Citelli e Raoul Bretzel desenvolveram o projeto The Capsula Mundi (ilustrado na imagem que abre este post, aí acima). Basicamente, no lugar de ser enterrado num caixão, o corpo da pessoa que se foi seria colocado dentro de uma cápsula orgânica, onde depois é plantada uma árvore ou uma semente, para aproveitar a matéria orgânica. No lugar de cemitérios como conhecemos haveria então novas florestas. :)

Ainda é cedo pra saber se vai dar certo (e quero crer que ainda é cedo pra eu ir, apesar de a vida me cansar medonhamente às vezes -- OK, mais as pessoas que a vida), mas logo decidi que quero que plantem um pé de manga na minha cápsula. É uma árvore forte, que dá um fruto lindo, e me lembra as melhores memórias da infância (pendurado feito macaco nela, brincando de guerra de manguinhas quando elas começavam a nascer em dezembro, gangorrando, sonhando com uma casa na árvore). 

Já perdi o medo de caixão, já entendi que mesmo as pessoas que a gente mais ama se vão. Mas certamente tudo isso se tornaria menos pesado se, em algum momento, passasse a ser comum devolver à terra o que é dela, só que permitindo que nela a vida se transforme, e não que se dê por terminada. 

Eu adorei a ideia.


quinta-feira, 26 de março de 2015

take me into your loving arms




(P.S.: Não, gente, não tô nem vejo chance de, tão cedo, ficar apaixonado. Só gosto da música mesmo. Muito. Muito fofinha ela.



sexta-feira, 13 de março de 2015

.

"Qualquer fato que enfrentamos, por mais penoso que seja, mesmo que pareça irremediável, não será importante como nossas atitudes para com ele."


Você, minha amiga, você sempre soube do que estava falando. Você sempre me disse a coisa certa na hora certa. E agora não poderia ser diferente.

Desculpa por eu não ter feito mais um post pra você, que sempre esteve por aqui, comigo. E desculpe também pela atitude agora, porque, você me conhece, eu vou chorar sim. Eu prometo que depois vou tentar sorrir um sorriso tão iluminado como seu, minha amiga.

Obrigado por tudo, Janaína. Sua voz, seu sorriso, sua inteligência, sua beleza descomunal, sua luz. Vou lembrar de tudo isso pra sempre.

Vá com Deus, minha amiga. Muito obrigado.
:'(



P.S.: Escrevi mais alguma coisa naquela rede social. Vou deixar aqui também. Sei que a Jana fez mais amigos neste meu blog que sempre foi muito dela também.

Numa sala cheia de gente, lá estava ela. Naquele momento em que eu estava cheio de ansiedade e expectativas e dúvidas, apareceu aquela pessoa que, ao invés de me ver como concorrente, me viu e me sorriu como um amigo. O sentimento foi recíproco. Na primeira conversa eu já sabia que era uma amiga pra vida toda que a vida estava me dando.

Aquela moça linda, do sorriso que deve ser o sorriso mais lindo que eu já vi, toda noite, depois de trabalhar muito o dia inteiro, estava lá ela naquele cursinho, estudando, em busca do sonho dela. Mas ao contrário dos outros 500 ali, ela sempre tinha um minuto pra me dar apoio, pra me fazer rir, pra me dar coragem pra realizar meu sonho também.

A vida foi generosa comigo, e permitiu que mesmo depois do cursinho, a gente acabasse se encontrando na faculdade. Chegamos a estudar juntos. A beleza, a inteligência, a maturidade, aquele brilho todo dela, aquilo sempre iluminou todo mundo que teve a sorte de pelo menos conviver com ela.

Foram muitas as conversas ao telefone, cheias de risadas, cheias de boas palavras (sempre as dela). Foi ela que me deu força quando nossa amiga Glau partiu. Minha amiga, uma criatura realmente superior.

Eu me mudei, não estive por perto no momento do casamento dela, mas ainda assim, ela compartilhou sua felicidade comigo, convidando (mesmo sabendo que eu não poderia), dizendo o quanto estava feliz e grata.

Há algumas semanas, encontrei o recadinho na foto. Toda noite, todas elas, durante aqueles meses no cursinho, ela deixava um post it no meu caderno. Era uma delicadeza, que eu adorava encontrar no dia seguinte. Há algumas semanas encontrei e guardei a mensagem na foto.

Minha grande amiga Janaína, Jana, eu agradeço tanto, muito, tudo que você me ensinou, tudo o que fez por mim. Agradeço por todas as conversas, por todo o conforto. Minha amiga Janaina, eu não consigo descrever o quanto sou grato por ter você como amiga.

Vá em paz, vá com Deus, minha amiga. 
Muito obrigado, minha amiga.